terça-feira, 10 de abril de 2018

RPG e Pirataria: O que as editoras fazem para combatê-la?

Olá e boa tarde, caros leitores!
Tudo tranquilo por aí?

No final da última semana um grande baque abateu uma grande parcela da comunidade de RPG: Uma das maiores comunidades de pirataria de livros de RPG no Facebook foi desligada após denúncias realizadas por algumas editoras de RPG. Muitos ficaram histéricos e comemoraram a queda da comunidade, enquanto outros demonstraram abatimento pelo fato, mas no final, o que importa é que, entre mortos e feridos, salvarem-se todos, por exceção do grupo de pirataria - esse está morto e enterrado.
Entretanto, esse acontecimento nos fez questionar algumas atitudes realizadas por editoras para inibir a pirataria de seus livros nas Redes Sociais. Fizemos uma grande reflexão sobre o ocorrido e gostaríamos de fomentar o debate por meio dessa postagem.


Porque a pirataria ocorre?


Antes de entrarmos no assunto pirataria, é necessário deixarmos alguns disclaimers antes de entrarmos no assunto:

• O Blog é contra a pirataria, inclusive, concentramos grande parte de nossos esforços ultimamente para inibir a pirataria demonstrando cotações de livros em diversas lojas para que você compre seu livro de RPG pagando pelo melhor preço. Na dúvida, você pode comprovar isso indo para nosso post com uma grande tabela fornecendo livros e valores.
• Seu dinheiro é seu, e nossa intenção jamais será determinar onde você deve gastá-lo ou não. Você e seus responsáveis são os únicos que poderão determinar onde seu dinheiro deverá ser gasto. Nosso papel aqui é apenas fornecer dados e trazer reflexões.

Pirataria no RPG Nacional
A pirataria é um problema. Mas o quanto a culpa pode ser colocada em quem consome?

Voltando ao assunto, a pirataria no RPG normalmente ocorre por quatro motivos:

Indisposição a comprar livros: Esse é o cara que pode gozar de certo poder aquisitivo, mas ele não enxerga a compra de livros de RPG como algo proveitoso ou como algo que vai lhe trazer algum tipo de retorno, partindo sempre para a pirataria. Embora ele faça parte do público de RPG, ele nunca será o público-alvo das editoras, já que o mesmo se faz inacessível.

O sem dinheiro: Nesses casos, o usuário até possui a vontade de comprar livros de RPG, mas sua vontade não está de acordo com sua situação financeira atual. Sendo assim, para não deixar de jogar os sistemas de RPG mais jogados pela galera, ele enxerga a pirataria como uma opção viável para se manter jogando. No entanto, quando sua situação financeira melhorar, ele poderá adquirir o jogo sem nenhum tipo de contestação de sua parte.

O testador: O Testador é aquele que pode gozar ou não de certo poder aquisitivo, mas ele não está disposto a investir em um livro antes de saber se a compra vale a pena ou não. Por isso, ele opta pela pirataria para fazer uma espécie de Test-Drive antes de adquirir o produto. Ou seja, ele comete a pirataria, mas adquire o produto caso ele goste.

Custo x Benefício: O quarto motivo para pirataria é o que marcou o Brasil no início dos anos 2000, com o lançamento do DVD. Os CD's originais eram absurdamente caros (aqui em Santos era cerca de R$ 30,00 em lojas, numa época que o salário mínimo era mixaria). Quando a internet começou a melhorar e o pessoal que entendia de informática viu que era possível pegar esse conteúdo do CD e gravar em uma mídia virgem, a galera surtou com a ideia de pagar R$ 10,00 em cinco CD's em vez de pagar R$ 30,00 em um único CD.
Isso é o que chamamos de Custo x Benefício: Qual o valor que o cliente vê no produto adquirido?
Antigamente, o pessoal conseguia ver algum valor no produto porque não haviam produtos substitutos no mercado a um custo menor, mas quando a pirataria surgiu, os produtos originais perderam valor para o cliente. Atualmente, apenas fãs compram CD como forma de incentivar seu ídolo.

O lado bom da pirataria nos RPG's


A pirataria é um problema para as editoras, mas ele traz benefícios para o hobby RPG à curto e médio prazo.
Isso porque a pirataria torna o RPG mais acessível: Livros que custam mais de R$ 100,00 podem ser obtidos gratuitamente e permite que as pessoas narrem esses sistemas. Com mais gente narrando, mais gente jogando, e, se novatos forem trazidos para o hobby, isso pode contribuir para a compra de livros físicos dependendo de seu poder aquisitivo, assim como ele pode contribuir com a proliferação do hobby narrando para outras pessoas.

O lado ruim da pirataria nos RPG's


Porém, coisas boas não anulam ou cancelam coisas ruins. Pirataria é algo muito danoso ao cenário.
Isso porque ele afeta a economia das editoras, que é uma das principais responsáveis por trazer livros e cenários para terras tupiniquins. O primeiro impacto da  pirataria é claro: ela inibe vendas.
E sem vendas, isso cria um efeito chicote imenso, explicado pelo infográfico abaixo:

Problema da Pirataria no RPG Brasileiro

O quanto as editoras contribuem para a pirataria?


Quando falamos sobre os motivos para a pirataria ocorrer e suas consequências, ficou claro que as editoras são os principais prejudicados pela proliferação da pirataria. No entanto, engana-se quem pensa que elas, editoras, não possuem sua responsabilidade nos casos de pirataria em grupos de Facebook, e em muitas vezes, ela própria é o principal fator da pirataria ocorrer. Três fatores comprovam tal frase:

Preços abusivos


Atualmente, quase a totalidade das vendas realizadas pelas editoras se dá por meio de Financiamento Coletivo. No entanto, a plataforma de financiamento é mal utilizada e está sendo utilizada para a realização de pré-venda por parte das editoras. As metas (sempre em PDF) ajudam a camuflar o real valor dos livros adquiridos nessa modalidade.
Fato é: Existem alguns casos onde o consumidor, aquele que viabiliza o projeto, paga cerca de 300% a mais que o comerciante!!!
Tem dúvidas destes números? Você pode olhar nosso post sobre Financiamento Coletivo: Porque não vemos com bons olhos? Se ainda lhe restar dúvidas, acesse as mais diversas páginas de Financiamento Coletivo no Catarse e veja com seus próprios olhos.

Com o preço de aquisição tão alto, é óbvio que isso cria um ambiente propício para a pirataria (assim como o alto preço do DVD original propiciou nos anos 2000). Como se isso realmente não bastasse para contribuir com a pirataria, outros fatores relacionados à incompetência das editoras minam a quantidade de vendas e fomentam a pirataria. São eles:

• Atrasos decorrentes;
• Falta de informações;
• Falta de clareza;
• Falta de revisões, onde o próprio comprador precisa revisar o conteúdo do livro.

A Famigerada Licença

Uma das pessoas que comentaram em nossa publicação (desculpe por não creditá-la, o post foi apagado) informou que a licença poderia ser o motivo do encarecimento dos livros. Ledo engano:
A Licença se transforma em custo de produção para a organização, logo, ela é inserida no valor do produto. Ou seja, quando você ver um livro em Financiamento Coletivo com Custo de Produção à R$ 40,00 e valor de venda à comerciantes por R$ 56,00, o valor de Licença já está inserido nesse valor.
Isso porque o Valor de Licença não depende (acho eu) da quantidade de livros vendidos - o valor é fixo. Logo, quanto mais vendas ocorrerem, mais pulverizado o valor da licença.

Por exemplo, suponhamos que o valor de licença é de US$ 3.000 - R$ 10.260,00 atualmente.
Se a editora conseguir vender 1.000 livros, o valor de licença por produto é de R$ 10,26, um valor baixo.

"Ah Luiz, mas se a licença custa R$ 10 e o livro custa R$ 40 para ser feito, é impossível fazer um livro com esse valor"
Cabe ressaltar que livros são isentos de impostos, e as gráficas oferecem bons descontos em grandes quantidades. Afinal, quem não quer faturar 1.000 livros com capa dura?

Com gráficas, o custo por página é muito baixo, e talvez a parte mais cara do livro seja a capa dura, mas isso é mera suposição.

Cobrança de PDF's


Imagino eu que, após o documento diagramado, é tarefa simples convertê-lo para PDF (o próprio programa tem ferramentas para isso). Isso torna o PDF algo sem qualquer tipo de custo para a organização, que poderia vendê-los a preços muito convidativos, o que ajudaria a divulgar seu produto e combateria diretamente a pirataria.
No entanto, não é isso que acontece: Existem casos que PDF's são cobrados por insanos R$ 30,00 ou mais, desincentivando a compra e fomentando ainda mais a pirataria. Um exemplo, Goddess Save the Queen, um RPG de criação nacional, está sendo vendido por R$ 40,00, quase o mesmo valor de um PDF!
Me soa como se a venda de PDF's tivesse se tornado dentro das editoras o core business do negócio, e não um incremento de vendas.

O mesmo colega que falou sobre a licença citou que a licença também pode recair sobre PDF's, ou o valor pode ser fixado pela detentora da licença por conta da pirataria.
Se isso, de fato, acontecer, é um erro de negociação, simplesmente porque as pessoas de língua nativa inglesa não vão se interessar em livros de língua portuguesa, portanto, um mercado não afetará o outro. Um simples: "Esse valor não é condizente com a situação regional" poderia fazer com que o preço fosse reavaliado.
Se a editora aceitou as imposições da detentora de direitos, soa como comodismo, e portanto, irá gerar incentivo à pirataria.

Incentivo à Compra


Algo de que nos orgulhamos muito nos últimos tempos é nosso trabalho em tentar ajudar o consumidor de RPG a pagar barato nos seus livros (que você pode clicar aqui para saber mais).
Agora, uma informação importante: Nesse um mês e meio que estamos fazendo esse trabalho, você saberia dizer quantas promoções realizadas por editoras nós vimos nesse período?

Nós sabemos, e o valor é 0. Zero promoções.
Ou seja, as editoras querem combater a pirataria, mas não pratica o mínimo de esforço para incentivar a compra de seus produtos, o que é algo bem triste para o cenário.

Não adianta nada combater a pirataria no local onde ela ocorre: Deve-se combatê-la em sua origem, ou seja, dentro de cada editora!
Mas sabe porque isso não é feito? Porque dói no bolso da editora! Para elas, oferecer promoção 1x por ano na Black Friday já é o suficiente, como se isso simbolizasse que ela está fazendo sua parte!
É claro que existem exceções: A Retropunk, por exemplo, oferece PDF's gratuitamente em datas comemorativas, como o Dia Nacional do RPG e o aniversário da Editora. Mas novamente, são exceções.

Fazendo um paralelo com os anos 2000 no Brasil, a situação é similar as Gravadoras, que reclamavam da pirataria e pediam reforços na fiscalização, mas continuavam a vender seus CD's por R$ 30,00. Ou seja, no final, não adiantava nada! Combatia-se a pirataria em um local, e ela ressurgia em outro ponto.

O que se pode fazer para inibir a pirataria?


Achamos que de nada adianta criticar sem, no final, oferecer dicas e ajuda para as editoras combaterem a pirataria da maneira correta. Nossa equipe listou alguns pontos para melhoria das editoras e assim, contribuir com o RPG nacional. São eles:

• Cobrar valores justos pelo PDF dos livros, incentivando a compra uma vez que é um produto de custo zero para a editora;
• Incentivar a compra de seus produtos, oferecendo promoções regulares (algo que toda e qualquer empresa deveria fazer);
• Oferecer Quickstarts ou Fastplay gratuitos que permita que Mestres e Jogadores possam usufruir de um jogo de verdade (ou seja, construindo personagens, usando um conjunto de regras básicas, etc). Isso é um marketing positivo para o produto e incentiva diretamente a compra de seu material;
• Aliado a isso, divulgação é essencial. O marketing de editoras resume-se muito a suas páginas e grupos de RPG. Por que não realizar sorteios usando shares para divulgar o seu produto?

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E na sua opinião, o que as editoras podem fazer para inibir a pirataria? Você é a favor ou contra as comunidades que praticam tal ato? Deixe suas reflexões no campo de comentários!

Por hoje é só pessoal!
Esperamos que essa postagem tenha-lhe feito refletir a respeito e torcemos para que esse movimento desencadeie mudanças positivas em nosso cenário, não é mesmo?
Até a próxima!

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Um comentário:

  1. Sou obrigado a dizer que concordo 100% sobre o assunto. Acho que já coloquei minha opinião em um post anterior, mas seja como for, falarei aqui novamente. Além dos preços abusivos, e do fc ser uma fralde em meus olhos, ainda tem esta revisão coletiva, onde tiram 5mil pra mais de um revisor de verdade, pagam uma mixaria a um revisor meia boca que nem tem faculdade em letras e colocam o povo pra encontrar erro.
    Pior de tudo é que levantam uma bandeira em pró disso, como se tivessem fazendo um bem maior a comunidade. Se não fosse o desespero da falta de RPGs e a atual moda que esta fazendo muitos RPGs aparecerem, essas editoras provavelmente estariam falindo. Sobre o preço do pdf, realmente passar de 30 reais em um produto não impresso chega a ser sacanagem, tem de calcular o valor do trabalho e distituir o valor de impressão e outras coisas para colocar um preço justo.

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